Recentemente, uma captura de ecrã atravessou o Crypto Twitter com a velocidade de um rumor capaz de mexer com o mercado. Mostrava o que parecia ser uma troca de emails entre Jeffrey Epstein e alguém que afirmava ser Satoshi Nakamoto, o criador pseudónimo de Bitcoin. Na suposta conversa, Epstein convidava Satoshi para a sua ilha. A resposta era breve e directa: “Vai-te foder.”
To: Satoshi Nakamoto
From: Jeffrey E.
Sent: Epstein. 1414, 10:7:40 AM
Subject: Re: Invitation
Dear Satoshi,
I would be delighted if you could join me on my private island for a discussion on blockchain technology. Please let me know your availability.
To: Satoshi Nakamoto
From: Jeffrey E.
Sent: Epstein. 1414, 10:7:44 AM
Subject: Re: Invitation
Dear Jeffey,
Go fuck yourself.
Regards, Satoshi
Em poucas horas, a imagem acumulou milhares de partilhas. Os memes multiplicaram-se. Alguns celebraram-na como prova da pureza moral de Bitcoin, argumentando que até o seu criador tinha o instinto de rejeitar elites predatórias. Outros viram ali a confirmação das suas suspeitas mais sombrias: se Epstein contactava Satoshi, que ligação mais profunda existiria? O preço de bitcoin caiu. Órgãos de comunicação social avançaram com variações de “ficheiros Epstein revelam ligações cripto”. A conversa fragmentou-se em campos opostos: defensores a insistir que Bitcoin permanecia intacto, críticos a alegar que os documentos expunham algo de podre no próprio protocolo.
Depois vieram as correcções. O email era fabricado. Não existia qualquer troca desse género nos documentos tornados públicos. Mas, nessa altura, o estrago já tinha ultrapassado qualquer imagem falsa isolada. Uma vez plantada a associação entre Epstein, Bitcoin e ilha, a mancha cognitiva permanece, independentemente de desmentidos. E esse é o ponto.
O que tornou o email falso tão eficaz não foi a sua sofisticação técnica. Foi o apetite pré-existente por exactamente esse tipo de revelação. As pessoas queriam que fosse real porque confirmava aquilo em que já acreditavam: que Bitcoin, como tudo o que toca em riqueza obscena, tinha de estar corrompido. O desmentido quase não importou. O mercado já tinha reagido. As manchetes já tinham sido escritas. E, por baixo de tudo, uma pergunta mais fundamental ficou por fazer: porque razão uma tecnologia concebida para ser impossível de capturar gera tentativas tão desesperadas de culpa por associação?
O Que os Ficheiros Realmente Mostram e o Que Não Mostram
O Departamento de Justiça Americano começou a divulgar documentos relacionados com Jeffrey Epstein no final de 2025, numa avalanche que se prolongou até ao início de 2026. Mais de 3,5 milhões de páginas foram tornadas públicas, embora alguns relatórios apontem para cerca de 3 milhões na tranche final, com retenções adicionais para proteger a privacidade das vítimas. Incluíam emails, registos de investimento e comunicações entre 2014 e 2017. O simples volume garantia que surgiriam ligações a praticamente todos os cantos das finanças e da tecnologia de elite. Epstein era, afinal de contas, um investidor oportunista que se posicionava na intersecção do poder, da inovação e do dinheiro. A sua carteira reflectia isso.
As entradas relacionadas com criptomoedas eram directas. Em 2014, investiu 500 mil dólares na ronda seed da Blockstream através de um fundo gerido por Joi Ito, que mais tarde alienou essas acções. Em Dezembro do mesmo ano, aplicou 3 milhões de dólares na Coinbase, uma das primeiras e maiores bolsas de criptomoedas. Em 2017, doou 750 mil dólares ao MIT, dos quais 525 mil foram destinados especificamente à Digital Currency Initiative, que financiava vários programadores de Bitcoin Core. Não eram negócios clandestinos. Eram investimentos documentados em empresas e instituições que construíam infra-estrutura em torno de um protocolo público e open source.
Adam Back, CEO da Blockstream e uma das poucas pessoas citadas por Satoshi Nakamoto no whitepaper de Bitcoin, esclareceu a sua própria, e da Blockstream, interacção com Epstein após a divulgação dos ficheiros. A ligação era indirecta e limitada a angariação de fundos. Não existiam laços contínuos, influência operacional ou colaboração ao nível do protocolo. A Blockstream constrói sobre Bitcoin, não controla Bitcoin. A distinção é importante, embora seja frequentemente ignorada nas manchetes.
O que mais me impressionou nas reacções não foram os documentos em si, mas ver pessoas que detêm Bitcoin entrarem em pânico por causa de manchetes sem compreenderem o básico. Pessoas que acumulavam discretamente há anos começaram de repente a questionar se tinham apostado em algo comprometido. A preocupação era compreensível. Os crimes de Epstein foram monstruosos. A sua proximidade a qualquer coisa soa a contaminação. Mas o pânico revelou uma confusão mais profunda sobre o que Bitcoin realmente é e como funciona.
O Que Bitcoin Realmente É (e Porque Ninguém Pode Controlar)
Bitcoin é dinheiro digital, criado entre 2008 e 2009 por alguém, ou por um grupo, sob o pseudónimo Satoshi Nakamoto. Seja quem for, desapareceu em 2011 e nunca foi identificado. Não existe nenhuma empresa por detrás de Bitcoin, nem conselho de administração, nem director executivo, nem sede. Foi lançado como software open source e corre numa rede global de computadores operados por milhares de participantes independentes.
Esses computadores, chamados nós, mantêm cópias idênticas do registo público de Bitcoin, a blockchain, que guarda todas as transacções alguma vez efectuadas. Quando alguém envia bitcoin, a transacção é difundida pela rede. Os nós verificam-na com matemática criptográfica e acrescentam-na à blockchain se for válida. Nenhuma entidade individual aprova ou rejeita transacções. O sistema atinge consenso através de regras incorporadas no software, que qualquer pessoa pode ler, auditar ou executar.
Este desenho torna Bitcoin resistente à captura. Não é possível fazer lobby junto da rede. Não é possível suborná-la. Não é possível instalar um executivo complacente ou reescrever o registo em segredo. Alterações às regras centrais exigem acordo esmagador entre milhares de operadores independentes que não têm qualquer obrigação de coordenar. Há mais de dezasseis anos que funciona assim, processando transacções de dez em dez minutos, independentemente de quem tente influenciá-lo, proibi-lo ou difamá-lo.
A arquitectura básica é simples: foi construída para ser ingovernável. Não é linguagem de marketing. É um facto técnico inscrito na forma como o software opera. O que levanta uma pergunta óbvia: se ninguém pode controlar Bitcoin, porque é que a proximidade periférica de Epstein a algumas empresas cripto iniciais gera tanto ruído?
Porque o Ruído Epstein É uma Manobra
Os ficheiros tornados públicos expõem algo, mas não o que as manchetes sugerem. Revelam um padrão familiar de capital de elite a circular por tecnologias emergentes, à procura de alavancagem, à procura de retorno. Os investimentos de Epstein na Blockstream, na Coinbase e no MIT não eram invulgares para alguém com a sua riqueza e posicionamento. Capitalistas de risco, family offices e financiadores oportunistas despejaram dinheiro na infra-estrutura cripto ao longo da década de 2010. Alguns eram éticos. Outros não. Nenhum controla Bitcoin.
Mas a narrativa em curso não é sobre padrões de capital de risco ou sobre a separação entre empresas e protocolos. É um ataque dirigido que instrumentaliza os crimes de Epstein para desacreditar a única tecnologia financeira concebida para resistir precisamente ao tipo de manipulação centralizada que permite a captura pelas elites. A verdadeira revelação nos ficheiros é o desespero com que certas narrativas são construídas para proteger sistemas que, esses sim, são capturáveis, sistemas onde opacidade, barreiras de acesso e influência política continuam viáveis.
O desenho de Bitcoin torna-o imune ao tipo de controlo de que o mundo de Epstein dependia. O ruído não é prova de corrupção. É prova de que o protocolo funciona exactamente como pretendido, e isso assusta quem beneficia das alternativas.
A Grande Ideia de Epstein e a Indiferença de Bitcoin
Em 2016, surgiu um email em que Epstein propunha criar uma criptomoeda “como Bitcoin” compatível com a Sharia. Parecia entusiasmado com o conceito, talvez imaginando uma oportunidade para se posicionar como ponte entre as finanças islâmicas e os activos digitais. A proposta não levou a nada. O código de Bitcoin não foi alterado para acomodar jurisprudência religiosa. Não foi criada qualquer versão especial. A rede continuou a operar segundo as mesmas regras de sempre.
O que Epstein parecia não perceber, ou talvez não considerar relevante, é que Bitcoin não precisa de autorização para ser compatível com a Sharia. Muitos estudiosos das finanças islâmicas consideram Bitcoin permissível (halal), por funcionar como um bem transaccionável sem juro incorporado. Quem quisesse uma criptomoeda explicitamente desenhada em torno de princípios islâmicos teria de construir uma alternativa de raiz. E foi o que aconteceu. Projectos como Stellar, Islamic Coin e certas configurações de Ethereum surgiram para esse mercado. Bitcoin manteve-se indiferente.
O episódio é revelador precisamente porque não deu em nada. Se Epstein tivesse influência sobre o desenvolvimento de Bitcoin, este teria sido o momento para a exercer. Em vez disso, a ideia morreu numa troca de emails, uma nota de rodapé num arquivo maior. Ainda assim, a mera existência da proposta é reciclada como prova de intenção nefasta, como se sugerir algo e ser ignorado fosse sinal de cumplicidade.
As Empresas Vêm e Vão, Bitcoin Fica
A Blockstream angariou 500 mil dólares em seed em 2014, parte proveniente indirectamente de Epstein através de um fundo gerido por Joi Ito. Quando a ligação se tornou pública, essas participações foram alienadas. A Coinbase recebeu 3 milhões de dólares de Epstein em Dezembro de 2014, numa fase em que captava financiamento de vários investidores para escalar operações. A Digital Currency Initiative do MIT aceitou 750 mil dólares em doações em 2017, que financiaram investigação e desenvolvimento, incluindo apoio a programadores de Bitcoin Core.
Estes investimentos foram reais. Aconteceram. E são totalmente irrelevantes para o funcionamento de Bitcoin enquanto protocolo.
A Blockstream é uma empresa que constrói sobre Bitcoin. Não controla o seu código, as regras de consenso ou a rede. A Coinbase é uma bolsa regulada que facilita compra e venda. Não tem autoridade sobre a blockchain. O MIT financia investigação, mas a natureza open source de Bitcoin significa que quaisquer alterações têm de ser adoptadas voluntariamente por milhares de operadores independentes.
A separação entre empresas de infra-estrutura e o protocolo subjacente não é um detalhe técnico. É o próprio desenho. Bitcoin foi criado para não precisar de permissões e ser resistente à censura, precisamente para que nenhuma empresa, instituição ou indivíduo, por mais rico ou bem relacionado que seja, o possa orientar. Os investimentos de Epstein compraram participações em negócios. Não compraram governação sobre uma rede descentralizada que se recusa a ser governada.
De Emails Absurdos a “Epstein Era Satoshi”
O email falso de rejeição de Satoshi não foi um caso isolado. Fez parte de um ecossistema mais vasto de alegações fabricadas e especulação desenfreada que surgiu à medida que os ficheiros eram divulgados. Alguns sugeriram que o próprio Epstein poderia ser Satoshi. Outros insinuaram que financiou secretamente a criação de Bitcoin, um esquema de branqueamento digital disfarçado de retórica libertária. Os detalhes variavam, mas o tema mantinha-se: Bitcoin tem de ser corrupto porque alguém corrupto tocou em algo próximo dele.
Assisto a isto em tempo real. Pessoas que tinham passado anos a estudar Bitcoin, a compreender as suas propriedades técnicas e a reconhecer a sua resistência ao controlo centralizado, começaram subitamente a duvidar de tudo porque o nome de um predador morto surgira nas proximidades de investimentos cripto iniciais. O peso emocional dos crimes de Epstein é real e justificado. Mas está a ser explorado muito além de qualquer base factual, usado como arma contra uma tecnologia que opera independentemente do carácter moral de quem quer que seja.
A reacção revelou algo desconfortável: a facilidade com que o reconhecimento de padrões colapsa sob intensidade emocional. Se Epstein investiu na Coinbase, e a Coinbase lida com Bitcoin, então Bitcoin deve estar contaminado. A lógica parece coerente à superfície, mas é tecnicamente ignorante, e confesso, intelectualmente preguiçosa. É como dizer que a internet está comprometida porque Epstein usava email. A infra-estrutura subjacente não quer saber quem a utiliza. Esse é o ponto.
FUD como Caça à Liquidez
Desde que os ficheiros começaram a circular, o preço de bitcoin caiu mais de 10000 dólares, e continua enquanto escrevo. Para detentores de longo prazo que compreendem o protocolo, foi uma oportunidade de compra. Para participantes mais recentes, assustados com sensacionalismo, foi uma crise. É nesse intervalo que actores oportunistas operam.
Os mercados reagem ao medo, e o medo é lucrativo se alguém souber que vem aí. O timing de certos pumps, ou shills de shitcoins, projectos sem descentralização significativa, geridos por equipas identificáveis e vendidos como “alternativas éticas ou modernas” a Bitcoin, coincidiu de forma suspeita com o pico do FUD relacionado com Epstein. É um guião conhecido: amplificar a dúvida sobre o activo mais difícil de capturar, desviar a atenção para coisas mais fáceis de controlar, extrair valor no meio do caos.
"Buy my bags..." - shitcoiner com a ultima novidade
A volatilidade é real. O pânico é real. Mas o protocolo subjacente continua a operar exactamente como foi concebido. Blocos são produzidos de dez em dez minutos. Transacções são verificadas. A rede não pára por causa de escândalos, não pede desculpa, não ajusta o código em resposta a crises de relações públicas. Esta indiferença não é um defeito. É a característica que torna Bitcoin resiliente face precisamente ao tipo de manipulação que o FUD representa.
Se Epstein Tivesse Compreendido Bitcoin, os Seus Emails Não Existiriam
Um dos detalhes mais ironicamente sombrios nos ficheiros é que os emails de Epstein não estavam encriptados. As suas comunicações sobre investimentos em criptomoedas, manobras financeiras e posicionamento estratégico eram enviadas em texto simples, guardadas em servidores, eventualmente tornadas públicas. Para alguém a investir em tecnologias criadas por criptógrafos e cypherpunks, pessoas que desenvolveram comunicação encriptada precisamente para resistir à vigilância, a falha é quase cómica. E há quem diga, sem se rir, que Epstein era Satoshi Nakamoto. LOL!!
Bitcoin nasceu de uma cultura que tratava a privacidade e a encriptação como fundamentais. O movimento cypherpunk desenvolveu ferramentas para proteger comunicações de vigilância estatal e corporativa. Quando Satoshi criou Bitcoin, fê-lo dentro dessa tradição: um sistema onde as transacções são públicas mas as identidades são pseudónimas, onde o consenso é criptográfico e não baseado em confiança, onde o controlo é distribuído para resistir à captura.
A abordagem de Epstein contradiz tudo isto. Tratava a criptomoeda como mais uma classe de activos, algo em que ter participações. Não encriptava emails. Não demonstrava sequer segurança operacional básica. O desfasamento é total: um homem a investir em tecnologias de privacidade enquanto conduzia a sua vida sem qualquer respeito pelos princípios que tornaram essas tecnologias necessárias. Aparentemente, sem respeito por nenhuns outros princípios...
O contraste mina qualquer alegação de influência mais profunda. Se tivesse realmente compreendido o que é Bitcoin, o seu desenho, a sua ética, a sua resistência ao controlo centralizado, a sua postura operacional teria sido completamente diferente. Os ficheiros mostram alguém que viu uma oportunidade de investimento, não alguém integrado no desenvolvimento ou na filosofia do protocolo.
Porque Difamar a Única Coisa Que Não se Pode Controlar
Bitcoin desafia a arquitectura financeira que concentra poder em instituições vulneráveis a lobby, captura regulatória e manipulação de elites. Oferece uma alternativa: um sistema onde as regras são impostas pela matemática e física e não por porteiros, onde o acesso não exige permissão, onde o controlo está distribuído por milhares de participantes que nada ganham em coordenar-se corruptamente. Não é teórico. Está operacional há dezasseis anos.
A reacção a esse desafio tem sido previsível. Bancos centrais falam em instabilidade. Reguladores propõem quadros que reintroduzem as barreiras que Bitcoin foi desenhado para eliminar. Instituições financeiras que lucram com opacidade e rendas descrevem Bitcoin como ferramenta de criminosos, ignorando a ironia de os seus próprios sistemas facilitarem muito mais actividade ilícita simplesmente pelo volume e pela falta de transparência.
Os ficheiros Epstein fornecem um novo ângulo para o mesmo ataque: contaminação moral por associação. Pouco importa que os investimentos fossem indirectos, menores e irrelevantes para o funcionamento do protocolo. Pouco importa que a natureza open source torne impossível esconder influência de bastidores. Pouco importa que toda a filosofia rejeite o tipo de controlo centralizado de que o mundo de Epstein dependia. O objectivo não é a precisão. É a dúvida.
Se Bitcoin fosse controlável, este ruído não seria necessário. O facto de os ataques recorrerem à culpa por associação em vez de crítica técnica revela a assimetria: não há vulnerabilidade técnica a explorar, por isso o ataque desloca-se para a reputação, a emoção e o escândalo fabricado.
Cada Difamação Confirma o Poder de Bitcoin
Voltemos ao email falso que deu início a tudo. Uma rejeição fabricada, perfeita demais para ser verdade, desenhada para provocar exactamente a reacção que provocou: viralidade, emoção, movimento de mercado. Em retrospectiva, parece menos uma partida e mais um sintoma de medo. Porque fabricar provas de que Satoshi rejeitou Epstein, a menos que a alternativa, que Bitcoin opera independentemente da aprovação ou rejeição de qualquer pessoa, seja intolerável?
Se Bitcoin fosse vulnerável ao tipo de controlo que Epstein representava, não seria necessário este nível de ruído. Sistemas capturados não geram conspirações. Geram conformidade. O facto de Bitcoin inspirar emails falsos, especulação selvagem sobre a identidade de Satoshi (que diga-se de passagem é irrelevante...) e campanhas de culpa por associação revela algo que os atacantes não querem admitir: o protocolo não pode ser controlado, por isso tenta-se controlar a narrativa.
A contradição é agora inevitável. Cada tentativa de ligar Bitcoin a Epstein através de investimentos periféricos e rumores desmentidos apenas realça a ausência de influência real. Cada queda de mercado provocada por FUD mostra que a rede continua a operar independentemente do preço. Cada alegação de que Bitcoin está comprometido embate na realidade de dezasseis anos de escrutínio open source sem portas traseiras, sem alavancas escondidas, sem pontos centrais de falha.
A Rede Não Quer Saber
Algures, neste momento, um nó está a verificar transacções. Não sabe nada sobre os ficheiros Epstein. Não acompanha preços nem noticias. Aplica regras criptográficas a dados, chega a consenso com milhares de outros nós a fazer o mesmo e acrescenta mais um bloco a uma cadeia que remonta a Janeiro de 2009. Este processo continuará independentemente do que alguém diga ou acredite.
Bitcoin produz um novo bloco aproximadamente a cada dez minutos. Fá-lo há mais de dezasseis anos. Através de bolhas e quedas, de apertos regulatórios e adopção institucional, de escândalos reais e fabricados, a rede persiste. Nenhum CEO pede desculpa. Nenhum conselho se reúne para responder a preocupações. A matemática não quer saber de relações públicas. Bitcoin está-se a cagar para o drama humano, apenas funciona.
Esta indiferença não é frieza. É arquitectura. Bitcoin foi concebido para operar fora dos sistemas que exigem confiança, que cedem à pressão, que podem ser negociados ou capturados. Existe como alternativa precisamente porque recusa a lógica que torna essas alternativas necessárias.
A questão que permanece não é se Bitcoin está comprometido. As provas em contrário são esmagadoras e estão inscritas no seu próprio desenho, relembradas a cada bloco. A questão é quanto tempo mais confusão, medo e escândalos fabricados irão obscurecer a saída que oferece.
O nó não espera por respostas. Verifica a próxima transacção, acrescenta o próximo bloco e continua a zumbir, indiferente, numa casa ou num centro de dados algures, mantendo um registo que ninguém pode reescrever, aplicando regras que ninguém pode contornar, oferecendo uma alternativa a quem estiver disposto a ignorar o ruído.
A rede não quer saber. É precisamente por isso que importa.
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